sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Alento

Insustentável situação de pensar em por fim naquilo que se pretende resguardar, proteger do desgaste do tempo. E se vê numa situação de demarcar o fim daquilo que te traz sossego é angustiante. Não se deve esquecer da velha angústia da perda... E ela se repetir num simbolismo que se retorna no corpo, é delirante. Falo no lugar daquele que não suporta sustentar o sorriso, que de tão falso, se faz amarelado. Daquele que não suporta segurar lágrimas, que de tão contidas, romperam com a represa. Eu falo no lugar daquele que conta o tempo restante antes da bomba relógio explodir. Te superar implica em te esquecer. Entenda! Te esquecer é algo que não entra em jogo. Não ponha em cheque o nosso afeto que já começou aleijado. "Eu queria tanto que você não fugisse de mim". Mas eu fugiria de mim. E fugirei de mim quando você partir, porque sei que irei contigo. E sei que morrerei porque você levará um pedaço de mim, levará meu coração. Mas frente a essa possibilidade de morte, fico sobrevivendo aqui no concreto à espera de te deixar passar a diante e dar continuidade ao fluxo da contabilização. Mas eu tenho medo de te deixar partir de mim, e me partir em mim, assim caindo em pedaços. Farei das tripas um novo coração e me manterei firme sobre os calos que a vida fez nos meus pés. Você não será o derradeiro daqueles que partirão. Nem mesmo daqueles que me partiram... Mas não me julgue pelo desejo voraz de te devorar e de te tornar meu alvo de desejo. Eu te amei por séculos, e temo te esquecer em segundos.

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