sábado, 14 de junho de 2014

Àquele

Parece refluxo; me vem retornando a todo o tempo, e incomoda, é ácido.
Busco um medicamento, e encontro lembranças dentro da caixinha dos segredos que fiz, pra me esconder de você. Me descasca, me descama, me despe... me desarma e me amarra aos pés da mesa, me deixando sem pés. Mas me deixa livre pra seguir, pra viver, pra sorrir. Embora haja um pedaço que não se encaixa. E existe um ponto que ninguém toca, ninguém mexe, ninguém entra... ninguém sai. E tu é dominante no teu reino, que te foi dado por mim quando te disse: meu reino por um beijo teu.
Eu quase me quebrei em pedaços quando me entreguei de presente pra você. Eu ficava ali, na tua estante, sem nada de troféu, me equilibrando ao terremoto que as turbulências da tua vida provoca. Fugi...

Hoje eu já não caibo mais em tua estante, já não me dou tão bem na tua vida, já não caio tão bem em teus braços, já não estou também nos teus abraços. E retornamos ao meio termo da vida inacabada, rumo ao delírio futuro de um Deus dará: existe um ponto que ninguém toca, ninguém mexe, ninguém entra... ninguém sai. No fundo só sai quando abrimos a porta, só se entra quando esvaziamos o quarto, e só some quando deixamos de acreditar. Mas eu desaprendi a planejar na primeira queda. E reaprendi na última - na tua. Mas eu já não caio tão bem em teus braços. Cairia no chão, se não me cuidasse. E eu me cuido. Ah, eu me cuido sim. Me cuido tanto que na verdade me prendi na mansão mal assombrada, onde ronda o teu fantasma, e não deixo que ninguém entre, por que ninguém cabe. Mas você só sumirá quando eu deixar de acreditar. Quando eu passar a acreditar na minha autossuficiência guardada atrás dos porões, atrás dos portões da maldita mansão mal assombrada, onde ronda o teu fantasma, que eu não deixo ninguém entrar...

Já não é mais da minha cabeça, é do peito. E o meu maior erro foi ter te dado o controle da minha vida. Ele é remoto, portátil, de longa distância. E o teu maior erro foi não ter me devolvido o tal controle. Hoje eu sou o fantasma da tua vida, aquele que assombra a mansão que tu tem no teu peito, que só vai deixar de existir quando você deixar de acreditar nela. Quando você se desfizer do tempo, e eu da distancia. Quando não sofrermos mais de saudades. Quando deixarmos de nos amar. Quando deixarmos de nos amar de longe. Quando apenas nos deixarmos.

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