sexta-feira, 6 de setembro de 2013

" Não sei porque não me rebelo, queria ter coragem e perder o bom-senso, a decência, o pudor, o sorriso e cair em lágrimas de dor copiosamente irracionais. Rasgar sua roupa, esmurrar seus pequenos olhos dissimulados, arrancar seus cabelos e dizer que não o quero mais, que não quero essa sua vida infértil e nefasta, que me nego a dar o que jamais recebi. Queria ter um minuto de egoísmo e vomitar um NÃO que você jamais ouviu meus lábios proferir.
Sinto que morro um pouco mais, nem sei se consigo identificar o que me mortifica. Será sua audácia, sua prepotência, vaidade? O fato de você pensar que estou aqui para servi-lo e nunca me dar nada em troca?
Encarreguei-me de despejar nessas linhas minhas mais íntimas insatisfações. Amar você é um fardo. Longe de ser felicidade.

Com o desprezo de seu egoísmo,
Minha dor."

(In. Cartas que jamais entregarei)

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