domingo, 23 de fevereiro de 2014

Deixa eu me despir um terço?

Algum tempo atrás também estava mal. Mas a vida sempre sorri pra gente de uma forma que não podemos ignorar os sinais. São sinais. Se não os vê, tente enxergar com os outros olhos... Eu demorei a ver também. Tive que me espiritualizar. Tive que me esvaziar da angustia de viver sozinho. Tive que me deixar sorrir por conta própria. Livrar-me do que suprimia o meu espírito por conta da monotonia que a vida se tornou depois que ele partiu... Essas coisas. Gasta o afeto, a tristeza, a angustia. Se desfaça do riso forçado, chore. Deixe sair. Escreva sobre, fale sobre, transforme tudo isso em palpável e depois descarte. Não sabe como? Aprenda. Reflita sobre as possibilidades de dar um sentido ao que tu sentes. Não fará muito sentido hoje. Mas e amanhã, quem sabe? E se você apenas se esquecer do que aconteceu, vai ficar o afeto embutido no vazio. E essa a dor nunca vai passar. 
Eu também tinha medo. Medo de enfrentar, de encarar a vida de frente. Mas como se supera os medos sem se defrontar com a eminência de morte? Não se trata de esquecer, meu amor. Mas de superar... Não é sumir com o afeto, é matá-lo. E se for difícil e achar que não consegue, então deixe o tempo operar. Ele é um dos deuses mais lindos, lembra? Alguém outrora o cantou assim. Mas eu não estive bem, assim como você não está. E vai afundar? Se se trata de um barco, reme. Se se trata de um apartamento, faça faxina. Se se tratar de uma vida, se reoriente. Não se deixe derramar pelo desnível desses terrenos. Aterre... Mas o seu barco se foi. E você vai precisar estar vivo para construir outro. Permaneça vivo. Vivo, não “sobrevivo”. Não se trata de sobreviver. Mas de viver, existir. Achei engraçada a analogia do barco. Me fez remeter ao significado de Existir. Significa se lançar. Lançar-se ao imenso mar que é viver. Então, seja você o capitão da tua Nau. E isso existirá. Todo afeto positivo que passou, ainda existirá. Não se desfaça disso. Não esqueça o quão feliz ele te fez. Mas supere a dor que restou do fim. É sempre ruim elaborar um luto. Mas quem morre nunca volta. E sinto te dizer, vai doer. E se sumir for o modo como vai superar, suma. E aí vamos chegando até a resolução disso.
Você me orgulha, sabe? Porque você poderia ter escolhido sentir tudo, e de todo o jeito. Mas acima de qualquer amargor e dissabor da vida, você escolheu amar. Tem noção de quão bonito é isso?

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