Os espaços ocupados pelos corpos se preenchem pelo vazio da noite com todos os fantasmas que se circunscrevem no pensamento daqueles que não sente o dito bem-querer.
Excluído de uma díade, chamado de relacionamento, quase imperativo da atualidade, busca em tecnologia o afago de três segundos, dois gozo, e uma noite sem dormir.
Fast-sex.
Fast-foda.
O jato do alívio.
Alivia o peso que é estar a só na noite de verão, ou qualquer outra estação.
Mas se faz verão pelo calor que toma o corpo.
Que um dia se foi inverno, pelo frio do vazio que outro corpo deixou.
Lançam-se os corpos em prateleiras: tecnologia à favor de reduzir barreiras, distancias, solidão.
Somos gratos, tecnologia!
Os corpos buscando outros corpos como um inseto busca luz, alienados por um desejo primitivo que nos aproxima de ancestrais tão distantes, colocando os corpos em pedaços para o expor o material que se oferece: um corpo.
Pênis, nádegas, rolas e bundas, sorrisos, olhares, abdomens - cada um com sua grandeza - pouco a pouco, pode-se observar apetitosas partes de corpos expostas e sendo oferecidas como em um mercado de carne.
Um corpo vivo, morto pela tecnologia, sendo esmagado pelo desejo de se ter sete minutos no paraíso com sabe-se-lá-quem.
E assim se põe exposto as carnes frescas, velhas, picadas, com e sem gordura, de primeira e de segunda, para que se possa pensar no que comer no banquete mais próximo.
E a fome é grande.
A todo o tempo se faz perguntar sobre para onde vai esse excesso de "nutrientes".
Para onde é despejado tudo que é investido numa relação de 30 minutos, e "nenhum zero a zero, por favor!"?
Parece favorável que adapte-se ao que é corriqueiro.
Mas não se tem mais uma noção clara do que se deve expor numa autopromoção: colocamos as carnes, esquecemos a informação nutricional.
E convenhamos que, sempre foi a má alimentação que matou mais...
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