Era subjacente ao tempo o tal desejo que resguardava o seu resto.
O tempo passava e mascarava a falta do seu lugar preenchido.
Regado ao carnaval, festa da carne, a lua trouxe o paliativo, vivo.
A ilusão vendou o pobre de enxergar a armadilha: substituir um amor por outro.
Triste fim.
Esse engano se desfez, como todo engano, em momento inoportuno.
Te custou a máscara e algumas lágrimas.
Te custou ainda mais a proclamação de um espaço orgânico, tracejado, em que pudesse fortemente empunhar a caneta e escorrer-lhe a tinta, o que te escorria o peito.
Foi então declarada a guerra ao fantasma que ressurgia, como fênix.
A tal ave, ressurge das cinzas.
Se acaba e se recomeça.
Do fim ao início.
É uma farsa!
Finge morrer para voltar renovada.
E engana o tolo que não vela mais o teu corpo.
Não vive mais o teu luto; é a dança da vida e da morte - de matar e morrer.
A questão é simples: fora outra vez surpreendido pelo insight de entender que ainda amava o tal esquecido.
A ideia torpe e senil de que tinha chegado ao fim o amor que ele se dedicou a destruir.
E se enganou.
Matou os dragões, venceu a própria morte, viveu como se já não houvesse mais amanhã, mas na manhã seguinte, o teu dragão te engoliu.
Se imaginou intacto, indolor, inquebrável.
Se maquiou forte, se escondeu de si mesmo, tamponou o rombo, e se deparou com o espelho.
O reflexo foi a insuportável ideia de que já não poderia mais fingir e fugir do que a vida te deu.
Era a própria essência da sua existência: aprender a lidar com o ato de amar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário