Estasiado pelo paraíso de andar a sós, se sentia seguro
O que não se sabia, de fato, era a respeito dos fantasmas que ele havia deixado pra trás
O tal sujeito foi amaldiçoado a viver eternamente
E sem a finitude, foi obrigado a viver pra sempre em um mundo de desuso
Nada mais se amarrava a ideia fértil de prosperar o peito e deixar florescer
Ele seguiu na sua maldição por duas vidas além
Deixou de viver, pra se manter na incerteza
Se deparava com a "verdade" sempre que se aproximava dos sete palmos abaixo do chão
E morreu sem ter vivido metade das ordens do desejo
Se matou, por não aceitar a felicidade
E por mais que seguisse adiante, já não via mais teus sóis
Já não ansiava mais pelo encontro
Já não suspirava mais a segurança
O seu paraíso havia sucumbido em chamas
E todo o afeto que lá havia, se ardeu
E por mais que ele seguisse adiante, tinha medo do futuro
Temia o futuro por saber do que o passado havia feito do teu presente
Temia o futuro por que era escuro e ele tinha sóis na cabeça
Eu nunca disse que ele não seguiu
Ele seguiu sim, com medo, mas seguiu
E foi tão longe que chegou a matar dragões e esquartejar vilões
Ele foi tão longe que passou por cima da própria morte
E ele sobreviveu, pendulando entre a leveza e o peso de se estar vivo
Mas viveu, como se já não mais houvesse o amanhã
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