sexta-feira, 22 de maio de 2015

São

O corpo, já re-tocado, percorrido por outros corpos já não se faz mais (exclusivamente) seu.
Embora não haja, então, o resguardo primário do jurar-te amor eterno, é somente a carne que está violada pelo toque daqueles não ouvem teu nome.
Seguro em certeza, existe ainda um ser, não matéria, que se guardou a ti.
Andou estados, status, vertigens e miragens, e se manteve, ainda assim, inerte ao teu regresso.
Um mártir.
Um desconsolo.
Um desmantelo.
Não há verbo que se faça nome na parte que não se toca.
Torpe.
Senil.
Insano.
Permaneço insano, enganado.
Medo de abrir os olhos e não te (t/v)er.
Medo de entender o que se passa e entender o que passou...
Não houve, desde então, verbo que se fizesse nomear essa carne, que se toque, que fosse substituir o nome "sou seu".
E sobre a parte que não se toca: essa sempre a ti pertenceu, desde então.
Existe alguém aqui, sentado, sofrendo, (sobre)vivendo na esperança de te dar o poder de fazê-lo feliz.
Mas você não vem...
O dedo que dedilha cordas, teclados, teclas, empunha canetas, seca as lágrimas, disca o teu número, espera ansiosamente o dogmático anel que simboliza a eternidade.
Mas você não vem...
Em nome de todo o amor que houve no mundo, das cartas que não foram enviadas, dos olhares distanciados, dos amantes que choram a sua saudade... eu te amo!
E em nome disso, de tudo o que está exposto e imposto, ao tempo, ao solo, eu te amo!
Mas você não vem...
São tempos difíceis para os que amam sem temor.
Tempos ainda mais difíceis para os que amam sem correspondência.
São tempos difíceis.
São tempos.
São.

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