sábado, 13 de junho de 2015

P8 (Primeira letra, de um nome de 8)

Olhando bem, você já nem é mais quem eu amei.
Eu ainda amo, mas amo alguém que você foi.
E hoje você nem é meio parecido com isso.
Na verdade, não se parece em nada com a e pessoa que eu amei.
Suas roupas, seu cabelo, seu jeito rude, sua embriaguez, sua vida "social".
Se prestar bem atenção, você mudou. Pode ter sido melhor, mas não é mais o mesmo.
E se for melhor, é pra você. Porque eu sinto falta da pessoa que eu amo. E essa não é você.
O que importa de tudo isso é a sua fraqueza, a sua forma ridícula de lidar com tudo isso.
Meu caro, anote aí: VOCÊ É FRACO!
Dizer que o que eu sinto é doença, é desumano!
Se toda essa merda fosse doença, eu te perseguiria, te ameaçaria, eu tentaria me matar, poderia tentar de tudo, de todo exagero pra te ter de volta. Mas isso aqui não é doença...
É que você não foi ensinado a amar. E pelo visto, nem vai.
As pessoas me perguntam sobre você e eu nem sai mais responder, porque parece que você não existe mais. Que você morreu. Mas nem foi isso.
Parece que minha lagarta virou borboleta (engraçada analogia).
Dizer pra mim que sou doente só mostra o quão fraco você é. Eu não sou doente.
Você que é deficiente. Aleijado. Desprovido da capacidade motora de amar verdadeiramente, impensavelmente, incansavelmente, ou de ao menos, buscar compreender esse movimento no outro, a sua frente.
Você é fraco, porque prefere que eu te esqueça do que enfrentar a realidade de que EU AMO VOCÊ.
E isso não vai mudar tão cedo. Quer dizer, eu vou deixar de amar-te. Mas você não vai deixar de ser fraco. Não vai deixar de esconder em suas divas do pop, em suas redes sociais, em suas piadas fabricadas do mainstream contemporâneo dos gays antenados. Você é uma invenção.
Você é fraco porque prefere que eu te esqueça. Porque tem medo do que eu possa fazer por te amar.
Você não é apenas fraco. Você é burro. Ninguém morre por amar. As pessoas se matam pra deixar de amar.
Pense comigo... Ou melhor, pense!
Seu medo, burrice, fraqueza, deficiência, é se perceber responsável pelo que eu sinto.
E deixa eu te dizer: você é.
Mas você não tem obrigações legais com isso.
Não há acordo que te faça cumprir deveres sobre o meu corpo, sob o meu desejo.
Você é livre, optou por isso. E isso só evidência sua fraqueza.
Você teme ter chão. Você se deixou levar pela ilusão da vida fácil que uma viagem pode trazer.
Isso é só ilusão. Tudo passa. Tudo volta ao normal. O dinheiro acaba, e até tê-lo de novo, deve-se começar do zero.
Você é livre, optou por isso. E isso só evidência sua fraqueza.
Você prefere ser assim pra não se responsabilizar por nada ou por ninguém.
Mas e quando você finalmente crescer, como vai ser isso?
Você não é nem meio parecido com a pessoa pela qual eu me apaixonei.
Não tem nem metade dos defeitos da pessoa que eu amo.
Você deve ter o dobro, talvez.
Suas roupas, seu cabelo, seu jeito rude, sua embriaguez, sua vida "social".
Você já parou pra se perguntar porque isso te assusta tanto?
Por que motivo, eu te amar, seja tão amedrontador?
De toda forma, veja bem, meu caro P8 (Primeira letra, de um nome de 8), eu espero que a vida te faça amar alguém tanto quanto eu te amo. E que porventura, essa pessoa te ame tanto quanto você me ama. E não é te desejar mal. É que isso ensina, educa. Faz a gente perceber que não existe relação sem o outro, sem dois. Acredite, eu aprendi assim. Já fui o P8 (Primeira letra, de um nome de 8) de alguém. E veja bem, repare, também sou P8 (Primeira letra, de um nome de 8) verdadeiramente.
Somos unidos pelo mesmo significante, pelo mesmo significado, mas somos imensamente diferentes.
Talvez eu tenho crescido e aceitado o que a vida impõe.
Não falo de distância. Falo de Karma.
Falo sobre  o fato de tudo isso ser uma forma de eu entender como a lei funciona: aqui se faz, aqui se paga.
Não é que eu mereça. Mas isso me fez entender sobre o que é o amor.
Sobre o que de fato é "dar o que não se tem".
Eu te dei tudo o que eu pude, mas não bastou.
Então eu apenas o amei, e você fugiu.

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