sábado, 19 de julho de 2014

Passa(do)...

Você vai se apagando de mim numa velocidade pendular: as vezes lento, as vezes a jato. Não sei bem o que sobra de ti, mas ando tão cheio de mim, que já nem penso mais em "de qual lado da cama você estaria deitado se estivesse aqui?". Coisas assim me fazem ver que não sou mais o teu bem, como tu não é mais o meu bem. E por bem dizer, esqueça: não seremos mais aqueles que costumávamos ser, enquanto estamos a sós no nosso abrigo maior.
E mesmo que voltemos, jamais seremos os mesmos, porque um dia nos afastamos bruscamente. E mesmo que nunca mais voltemos, jamais seremos os mesmos, porque um dia nos encontramos loucamente. E se olhar bem pro nosso "vivido",  verá que já começamos errados. Aquele parque não deveria ter sido a sede do nosso primeiro beijo, muito menos aquela noite de lua nova, que iluminava as nossas morenices.
Continuamos errados quando pensamos ser apenas um "acaso" e enquanto isso eramos mais um do outro, do que um de cada. E vivemos em erro quando pensamos que estaria tudo bem quando você não estivesse mais aqui... Eu sempre temi te perder, mas eu vejo que nunca perderei, porque nunca te tive. Nunca fomos, de fato, um do outro, porque sempre soubemos que chegaríamos a um fim. E no meio dos nossos planos de sermos felizes não couberam projeções de longo prazo: logo tratamos de ser felizes todos os dias, um dia de cada vez; e fomos felizes, até deixarmos de ser.
Hoje eu estou feliz. Vejo tuas fotos e sorrio, sem saudades, mas com uma certeza de que fomos felizes. O futuro já não me assusta mais, e quando penso em viver sem você, penso em viver...
Mas não se deixe levar em vão pela pequenez do teu silêncio, ele sempre me disse muito.
Sempre me foi palpável.
A amiga da ocorrência similar me soprou aos ouvidos: mas passa, como tudo que é pequeno nessa vida.
Ouvi!

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