terça-feira, 9 de setembro de 2014

02:56

E como não se assustar se você nem ao menos sabe o que se passa no meu dia?
As frases soltas, inexáveis que trocamos durante o dia não bastam pro que te guardo.
Talvez seja o efeito corrosivo da expectativa de ter por perto, talvez seja a ansiedade parecendo bicho na cabeça, coisas de cabeça vazia e oficina de diabo.
Mas como não se assustar se eu nem ao menos sei o que se passa no seu dia?
Talvez 510 km seja uma distância considerável pra justificar isso, mas os poetas enfeitam a distancia com saudade e eu me engano, pensando que me cabe aquele sonho.
Você não sabe o que eu fiz pra ter aqui, o que eu engoli de orgulho pra te ter em mim. Não sabe o dobrado que eu dei pra me encaixar na tua conchinha.
O medo que te cerca de me ver acompanhado se justifica de fato por insegurança?
Citemos Caetano, Sozinho:

"... por que você me esquece e some?
e se eu me interessar por alguém?
e se ele de repente me ganha? 
Quando a gente gosta, é claro que a gente cuida"

Eu aprendi a não pedir muito, entretanto eu me senti tão seguro no teu abraço, tão protegido. Tão cuidado...
Só quero ao menos que cuide de mim, como cuido de ti. E que possamos seguir nos cuidando, pra não quebrar. Se não sabes, (infelizmente) te digo, os amores que são poucos se acabam; os anéis que são fracos, se quebram; os laços mal atados se soltam; os pássaros de fato livres, voam. 

Fica comigo mais um pouco, toma um chá. Me conta mais dos teus segredos de liquidificador. Marquemos um jantar, falemos sobre casar e ter filhos, cachorros, gatos, periquitos e uma vida pela frente. 
Fica, porque eu quero você aqui. Fica porque quer ficar. 

Fica pela razão certa e nunca mais precisará partir. 
Confio em você, seu moço!

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